Templo de Augusto em Ancara (Monumentum Ancyranum) — Res Gestae

Monumentum Ancyranum: o testamento em pedra do imperador Augusto

No bairro de Altındağ, o bairro mais antigo de Ancara, junto à mesquita de Hacı Bayram, ergue-se um monumento arqueológico que atrai historiadores de todo o mundo — o Augustus Tapınağı, ou Templo de Augusto e Roma. Nas suas paredes internas está esculpido o Monumentum Ancyranum — a cópia mais completa que se conserva da Res Gestae Divi Augusti, o testamento político do primeiro imperador romano. Este é o único texto de tal volume deixado pessoalmente pelo fundador do Império Romano, e não se preservou em Roma, mas sim em Ancara — graças a uma conjunção de circunstâncias e à resistência da pedra.

História

A atual Ancara era chamada Ancyra na Antiguidade e era o centro da província romana da Galácia, formada em 25 a.C. após a morte do rei galata Amintas. Já nos anos 25–20 a.C., no local de um antigo templo frígio (presumivelmente dedicado ao deus Mên), foi erguido o augusteum — um templo dedicado ao culto do imperador Augusto e da deusa Roma. Tratava-se de um projeto padrão para o novo culto, destinado a integrar a elite local na ideologia imperial.

Após a morte de Augusto, em 14 d.C., o Senado de Roma decidiu gravar as suas «Ações» (Res Gestae Divi Augusti) em placas de bronze diante do mausoléu em Roma. Os originais de bronze perderam-se há muito, mas cópias provinciais foram distribuídas pelo império. Em Ancyra, o texto foi gravado nas paredes de pedra do próprio templo: a versão latina — no interior do pronaos, a tradução grega — no exterior da cella. Assim surgiu o Monumentum Ancyranum.

Nos séculos V–VI, o templo foi transformado numa igreja bizantina e, no século XV, foi erguida ao lado a mesquita de Hacı Bayram, tendo a alvenaria do templo passado a fazer parte, de facto, do seu pátio exterior. O texto «Res Gestae» foi redescoberto pela ciência europeia nas décadas de 1550–1560 pelo diplomata croata Antun Vrančić (Andreas Vrancsics). Desde então, o Monumentum Ancyranum é uma paragem obrigatória para qualquer expedição científica à Anatólia.

O que ver

Paredes do pronaos com inscrição latina

A principal atração são as duas paredes internas do pronaos (pórtico exterior) com uma inscrição latina autêntica do século I d.C. O texto «Res Gestae Divi Augusti» é composto por 35 parágrafos, nos quais o próprio Augusto enumera as suas campanhas militares, doações públicas, templos restaurados, reinstalação de veteranos e o número de gladiadores nos jogos organizados. Este é o único documento conhecido desta dimensão, redigido em nome do imperador e destinado ao grande público.

Tradução grega na parede exterior

Na parte exterior da cella do templo, conservou-se uma tradução grega do mesmo texto — foi esculpida para a população local, que lia em grego. Esta duplicação do texto permite aos filólogos comparar as variantes e analisar as subtilezas da tradução da propaganda imperial para as diferentes línguas do império.

Abertura da porta e paredes laterais

Do templo, sobreviveram duas paredes laterais e uma abertura da porta ricamente decorada com ornamentos esculpidos. No terreno, são visíveis vestígios de seis colunas da fachada, o que permite reconstruir a planta original como um prostilo com um pórtico de seis colunas.

Mesquita de Hacı Bayram

Mesmo ao lado do templo encontra-se a mesquita Hacı Bayram do século XV — o segundo local sagrado mais importante de Ancara, a seguir à fortaleza. A mesquita e o templo formam um curioso diálogo visual: o antigo e o otomano, o pagão e o muçulmano situam-se literalmente a poucos metros um do outro. Entre na mesquita — os fiéis que aqui rezam estão habituados aos turistas.

Curiosidades

  • O templo foi construído entre os anos 25 e 20 a.C. no local de um antigo santuário frígio, dedicado, segundo se acredita, ao deus da Lua Mên ou à deusa Cibele.
  • O Monumentum Ancyranum é a única cópia quase totalmente preservada da Res Gestae Divi Augusti, o testamento político do imperador. Os originais em bronze, que se encontravam diante do mausoléu de Augusto em Roma, perderam-se.
  • O texto em latim está gravado no interior do pronaos, e a tradução grega — no exterior da cella. Isto era necessário para que o texto pudesse ser lido tanto pelos romanos como pelos habitantes locais de língua grega da província da Galácia.
  • O texto foi redescoberto na década de 1550 pelo diplomata croata Antun Vrančić. Uma cópia exata em tamanho real foi feita para a Exposição Universal de 1911 em Roma e encontra-se hoje no Museo della Civiltà Romana.
  • Atualmente, do templo sobrevivem duas paredes laterais e a abertura da porta; são visíveis vestígios de seis colunas do pronaos. A mesquita Hacı Bayram, do século XV, ergue-se junto às ruínas antigas.

Como chegar

O templo situa-se no bairro de Altındağ, na zona histórica de Ancara — Ulus, junto à mesquita Hacı Bayram. Coordenadas GPS: 39.9443° N, 32.8583° E. A estação de metro mais próxima é a de Ulus (linha Ankaray), a cerca de 10 minutos a pé para leste, atravessando as ruelas comerciais do centro histórico.

A partir de Kızılay (praça central de Ancara) — cerca de 2 km a pé ou uma paragem de metro. A partir do aeroporto de Esenboğa — autocarro Havaş até Ulus (cerca de 45 minutos) ou táxi. É difícil estacionar em Ulus, por isso é melhor utilizar o metro. O recinto do templo é ao ar livre, podendo ser visitado tanto pelo exterior como pelo interior da área vedada.

Dicas para o viajante

A melhor altura é de manhã ou ao fim do dia: o sol de lado realça o relevo das letras na parede, e o texto em latim fica especialmente legível. Ao meio-dia, a parede é iluminada de frente e as inscrições perdem o contraste. Se estiver interessado especificamente em epigrafia — leve binóculos ou uma lente de 70–200 mm para ver as linhas superiores.

A entrada no recinto é normalmente gratuita; a visita demora entre 30 a 60 minutos, dependendo do seu interesse. Antes de visitar a mesquita Hacı Bayram, as mulheres precisam de um lenço e todos devem tirar os sapatos. Respeite os horários de oração: cerca de 15 minutos antes e durante o namaz, os turistas não podem entrar na mesquita.

Combine a visita com um passeio pela parte antiga de Ancara: daqui é fácil chegar a pé à fortaleza de Ankara Kalesi e ao Museu das Civilizações da Anatólia (apenas 1,5 km a pé). Isto proporcionará uma visão completa da história da cidade, desde os hititas, passando por Roma, até aos otomanos. O Monumentum Ancyranum é aquele lugar raro onde pode tocar no texto que Augusto ditou pessoalmente há dois mil anos. Não perca esta experiência.

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Perguntas frequentes — Templo de Augusto em Ancara (Monumentum Ancyranum) — Res Gestae Respostas às perguntas mais frequentes sobre o Templo de Augusto em Ancara (Monumentum Ancyranum) — Res Gestae. Informações sobre o funcionamento, as possibilidades e a utilização do serviço.
O Monumentum Ancyranum é a cópia mais completa que se conserva das Res Gestae Divi Augusti, o testamento político do primeiro imperador romano, Augusto, gravada nas paredes do Templo de Augusto em Ancara. Os originais em bronze, que se encontravam junto ao mausoléu de Augusto em Roma, perderam-se há muito tempo, pelo que é precisamente esta cópia em pedra do século I d.C. que constitui a principal fonte do texto para os historiadores de todo o mundo.
Trata-se de 35 parágrafos ditados pelo próprio Augusto pouco antes da sua morte. Neles, ele enumera, na primeira pessoa, as suas vitórias militares, as doações públicas, os templos restaurados, a reinstalação dos veteranos, bem como o número de gladiadores nos jogos por ele organizados. Em termos de género, trata-se simultaneamente de um relatório político, de propaganda e de uma crónica pessoal da época.
Após a morte de Augusto, em 14 d.C., as províncias do Império Romano receberam cópias das suas «Ações» para difundir o culto ao imperador. Em Ancyra (a atual Ancara), o texto foi gravado diretamente nas paredes do templo — a versão latina no interior do pronaos, a tradução grega no exterior. A pedra revelou-se mais duradoura do que o bronze: os originais romanos em frente ao mausoléu perderam-se, mas as paredes de Ancara resistiram.
A província da Galácia era bilingue: os funcionários romanos e o exército liam em latim, enquanto a população local lia em grego. A versão dupla garantia o máximo alcance da propaganda imperial: o texto em latim era colocado no interior do pronaos para o público oficial, enquanto a tradução em grego ficava no exterior da cella, para que qualquer transeunte pudesse lê-la.
O texto foi redescoberto na década de 1550–1560 pelo diplomata croata Antun Vrančić (nome latinizado — Andreas Vrancsics), que viajava pela Anatólia. Desde então, o Monumentum Ancyranum tornou-se um destino obrigatório para todas as expedições científicas à região. Uma cópia exata da inscrição em tamanho real foi criada para a Exposição Universal de 1911 em Roma e encontra-se hoje no Museo della Civiltà Romana.
Antes da construção do Augusteum, entre os anos 25 e 20 a.C., supõe-se que neste local existisse um santuário frígio anterior, dedicado ao deus da Lua Mên ou à deusa Cibele. Os romanos integraram o antigo local sagrado no novo complexo cultual — uma prática habitual de integração das tradições religiosas locais na ideologia imperial.
Chegaram até aos nossos dias duas paredes laterais do templo, a abertura da porta ricamente decorada com ornamentos esculpidos e vestígios das seis colunas da fachada. Com base nestes vestígios, os estudiosos reconstituem a planta original do edifício como um prostilo com um pórtico de seis colunas. As inscrições nas paredes conservaram-se em quantidade suficiente para permitir a reconstrução do texto completo das Res Gestae.
A história deste local é complexa: nos séculos V e VI, o templo foi transformado numa igreja bizantina e, no século XV, foi erguida junto a ele a mesquita de Hacı Bayram — o segundo local de culto mais importante de Ancara. A alvenaria do templo tornou-se, de facto, parte do pátio exterior da mesquita. Hoje, as ruínas antigas e a mesquita otomana encontram-se literalmente a poucos metros uma da outra, formando um raro diálogo arquitetónico entre diferentes civilizações.
A entrada na área exterior do Templo de Augusto é normalmente gratuita. A visita demora entre 30 a 60 minutos, podendo chegar aos 90 minutos para quem tenha um interesse mais aprofundado pela epigrafia. A visita à mesquita vizinha de Hacı Bayram também é gratuita, mas é necessário respeitar algumas regras: tirar os sapatos, as mulheres devem cobrir a cabeça e evitar entrar durante a oração.
Sim, o local é interessante para um público geral. Mesmo sem conhecimentos de latim ou grego antigo, as paredes com inscrições com dois mil anos causam uma forte impressão. O contexto é facilmente compreendido através dos painéis explicativos no local. No entanto, os entusiastas de história e epigrafia irão apreciar muito mais: vale a pena ler antecipadamente, pelo menos, um resumo das Res Gestae.
O templo integra-se perfeitamente no percurso pedonal pelo centro histórico de Ancara. A partir daqui, são cerca de 1,5 km até à fortaleza de Ankara Kalesi, com vistas panorâmicas sobre a cidade, e até ao Museu das Civilizações da Anatólia — um dos melhores museus arqueológicos da Turquia. Em conjunto, estes três locais oferecem um panorama completo da história, desde a era hitita, passando pela Roma Antiga, até ao período otomano.
Manual do usuário — Templo de Augusto em Ancara (Monumentum Ancyranum) — Res Gestae Manual do usuário do Templo de Augusto em Ancara (Monumentum Ancyranum) — Res Gestae com descrição das principais funções, recursos e princípios de uso.
Programe a sua visita para a manhã ou para o final do dia: a luz lateral do sol realça o relevo das letras na pedra, e a inscrição em latim fica mais nítida. Ao meio-dia, a parede recebe luz frontal, as inscrições perdem o contraste e ficam pouco visíveis nas fotografias. A primavera e o outono são as melhores épocas: temperatura agradável e luz suave.
O trajeto mais prático é apanhar o metro Ankaray até à estação de Ulus e, em seguida, caminhar cerca de 10 minutos em direção a leste, passando pelas ruelas comerciais do centro histórico. A partir de Kızılay, é apenas uma paragem ou 2 km a pé. A partir do aeroporto de Esenboğa — autocarro Havaş até Ulus (cerca de 45 minutos) ou táxi. É difícil estacionar na zona, pelo que é preferível o metro.
Se estiver interessado em epigrafia, leve binóculos ou uma câmara com uma lente de 70–200 mm: as linhas superiores da inscrição estão situadas em altura e são difíceis de distinguir sem um equipamento ótico. As mulheres devem levar um lenço para visitar a mesquita de Hacı Bayram. É obrigatório usar calçado confortável — o terreno é pedregoso e o percurso a pé por Ulus demorará várias horas.
Entre no recinto cercado do templo e, em primeiro lugar, observe as paredes internas do pronaos — ali está gravada a versão latina das Res Gestae Divi Augusti. Leia de cima para baixo, seguindo ao longo da parede: o texto está organizado em parágrafos. Preste atenção ao estado de conservação de fragmentos específicos e aos locais onde a pedra está danificada.
Dê a volta ao templo e procure a parede exterior da cela onde se encontra a tradução grega do mesmo texto. Compare o tamanho e o estado de conservação das duas versões. Se souber grego ou latim, esta é uma oportunidade única de ler o texto imperial autêntico do século I d.C. diretamente na pedra original. Observe também a moldura da porta com ornamentos esculpidos.
A mesquita do século XV fica mesmo ao lado da igreja. Tire os sapatos à entrada; as mulheres devem cobrir a cabeça. Esteja atento aos horários das orações: cerca de 15 minutos antes do namaz e durante o mesmo, os turistas não podem entrar. Os fiéis estão habituados aos turistas, mas comporte-se de forma discreta e respeitosa. O interior da mesquita completa o quadro de uma convivência secular entre diferentes culturas num único local.
Depois de visitar o templo e a mesquita, dirija-se à fortaleza de Ankara Kalesi (cerca de 1,5 km a pé) — de lá, tem-se uma vista panorâmica de toda a cidade. Em seguida, visite o Museu das Civilizações da Anatólia, nas imediações da fortaleza: a exposição abrange o período desde o Paleolítico até à era otomana e fornece um contexto histórico completo para tudo o que viu durante o dia.